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domingo, 3 de abril de 2011

Uma declaração de guerra imperialista

Perante esta notícia, que transcrevo do Público.es, é, sem dúvida, instrutivo ponderar o silêncio ou as justificações "anti-imperialistas" daqueles que denunciam manobras do imperialismo e atentados à independência nacional do Irão nas campanhas contra as lapidações por ofensas aos bons costumes, manobras do imperialismo e atentados à independência nacional da Líbia no apoio que outros reclamam para os insurrectos contra Kadhafi, e poupo-vos o consabido rol restante. Estamos ou não perante uma vontade de dominação imperial claramente afirmada, perante um propósito declarado de interferência nos assuntos internos de outros países, perante uma declaração de guerra aos infiéis, em que estes são, não só os blasfemos, como todos os que não se resignam a condená-los com a severidade que a sua interpretação da lei islâmica estipula e erige em imperativo universal?

"A menos que los responsables de la quema del Corán sean severamente castigados, veremos violencia y protestas, no solo en Afganistán, sino en todo el mundo", esta es la advertencia que lanzó ayer Mullavi Qyamudin Kashaf, jefe del Consejo de Ulemas de Afganistán ante la situación de violencia que se está registrando en el país centroasiático los dos últimos días como consecuencia de la quema de un ejemplar del Corán en una pequeña iglesia de Florida, Estados Unidos.
(…)
Estas violentas protestas vienen precedidas por el gravísimo altercado en la ciudad de Marzar e Sharif donde un grupo de fanáticos asaltó la sede de la Misión de Naciones Unidas en Afganistán (UNAMA) asesinando a siete miembros de la delegación local de la ONU- -tres miembros de la misión y cuatro guardas de seguridad, todos ellos extranjeros- y a otros cinco civiles.
Unos 20.000 manifestantes se concentraron delante de la sede de Naciones Unidas en Mazar tras el perceptivo rezo de los viernes; armados con cuchillos, palos y piedras para protestar por la quema del Corán el pasado 20 de marzo en la ciudad de Gainesville. Tras reducir a los guardias nepalíes, que estaban protegiendo el edificio, penetraron en las oficinas del organismo internacional atacando a todos los que encontraron a su paso; entre ellos al máximo representante de la ONU en la ciudad. Según testigos presenciales los manifestantes utilizaron las armas que sustrajeron a los guardias de seguridad para perpetrar la matanza, salvo a dos personas, que fueron secuestradas y posteriormente decapitadas.

terça-feira, 22 de março de 2011

Intervenção na Líbia: estranha pontaria?

Reproduzo artigo do cubano Iroel Sánchez, publicado no blog "La pupila insomne":

Surge uma suspeita em nossas mentes incrédulas ao ver as notícias que chegam da Líbia, relacionadas aos bombardeios da chamada “coalizão”.

Conhecendo a experiência dos que lançam bombas para evitar os chamados “danos colaterais” – fizeram história durante a campanha contra a desintegrada Iugoslávia, onde até a embaixada chinesa em Belgrado foi bombardeada, e continuaram exercitando no Afeganistão e no Iraque – alguns perguntam como conseguiram com os mesmos exércitos, com as mesmas armas, evitar que apareçam vítimas civis nas imagens dos fotógrafos e das câmeras que cobrem a “intervenção humanitária”? Sobretudo, quando há poucos dias, forças norte-americanas voltaram a massacrar, “por erros”, um grupo de crianças no Afeganistão.

Mas, por mais que fiquemos assombrados, a cobertura da imprensa internacional, a mesma que contribuiu com vários cadáveres de correspondentes sob o fogo dos libertadores no Iraque, só fala dos objetivos que foram cumpridos entre as fileiras dos militares líbios.

É para supor, então, que também melhorou a pontaria da grande imprensa, que anteriormente criticou os bombardeios do governo líbio com sua aviação contra a população civil, sem poder mostrar provas, como foram denunciadas por fontes militares russas.

A propósito, um hacker holandês publicou no sítio “Wired” as mensagens que a aviação agressora está enviando aos navios líbios, ameaçando-os que “se tentarem abandonar o porto serão atacados e destruídos imediatamente”.

Quanto à precisão do fogo com que serão atacados pode haver dúvidas; mas a pontaria dos meios de comunicação não refletirá, jamais...

* Tradução de Sandra Luiz Alves.

Não à intervenção imperialista na Líbia!

A OTAN iniciou seu ataque contra a Líbia algumas horas depois do Conselho Geral da ONU aprovar uma resolução que autoriza a adoção de “todas as medidas necessárias” para impor uma zona de exclusão aérea no país.
Com ela o imperialismo aplica, uma vez mais, seu habitual dois pesos e duas medidas na política internacional, como prova o não cumprimento das resoluções da ONU sobre o Saara Ocidental e frente aos ataques de Israel contra os palestinos.


Não à intervenção imperialista na Líbia!

A OTAN iniciou seu ataque contra a Líbia algumas horas depois do Conselho Geral da ONU aprovar uma resolução que autoriza a adoção de “todas as medidas necessárias” para impor uma zona de exclusão aérea no país. Começa assim a intervenção militar imperialista que pretende evitar uma saída revolucionária para a revolta popular contra o reacionário Muamar el Kadafi.
Com ela o imperialismo aplica, uma vez mais, seu habitual dois pesos e duas medidas na política internacional, como prova o não cumprimento das resoluções da ONU sobre o Saara Ocidental e frente aos ataques de Israel contra os palestinos.
O cínico argumento é a defesa da população civil. Sem embargo, como ocorreu no Iraque, as potências imperialistas voltam a espada contra seu aliado, não para respaldar os setores progressistas, senão para facilitar a burguesia pró-imperialista líbia, que até hoje apoiou Kadafi, no controle da revolta popular. O imperialismo pretende intervir para mudar um de seus peões por outro; não é a democracia que os aviões da OTAN estão impondo com bombardeios, senão a manutenção do mesmo status quo, a continuidade da farsa, com outros títeres.
As revoltas que estão sacudindo até os alicerces o mundo árabe são fruto de contradições que vêem sendo incubadas durante anos. Bem Alí na Tunísia, Hosni Mubarak no Egito e Muamar Kadafi na Líbia, não representam os interesses nacionais e democráticos de seus povos. São  caudilhos reacionários que têm  governado com mão de ferro seus países, defendendo os interesses do imperialismo e enriquecendo-se eles e suas famílias graças a brutal exploração das classes populares.
A generalização da revolta ameaça seriamente os interesses estratégicos das potências imperialistas que, frente ao perigo de que os processos em marcha terminem dando um salto até um caminho revolucionário, tentam por todos os meios influir neles, reforçando o papel dos setores da burguesia local pró-imperialista, ligada até agora aos tiranos de plantão.  Com efeito, tudo indica que o imperialismo esperou para intervir, após  os setores verdadeiramente interessados em dar a revolta um caráter nacional, democrático e antiimperialista, se desgastarem fazendo frente a brutal ofensiva do exército de Kadafi.
Por outra parte, destacamos que o imperialismo já tem intervindo na zona, invadindo Bahrein com uma força militar, enviada pela Liga Árabe para sufocar a revolta popular contra a dinastia governante neste emirado, base da 5ª frota norte-americana.
Dos quinze membros do Conselho, dez votaram a favor da resolução que tem dado cobertura a criminosa agressão, e cinco se abstiveram. Estes cinco membros são: Russia, China, Brasil, Índia e Alemanha. Dado o poder de veto dos membros permanentes do Conselho, as abstenções de Russia e China fizeram possível a resolução, o que os faz cúmplices desta agressão. É particularmente representativa a abstenção da potência alemã, incomodada diante da perspectiva de defender com maior clareza os interesses de outras potências, como os EUA, Grã Bretanha e França, finalmente rivais na repartição de áreas de influencia que se desenvolve de forma cada vez mais acelerada.
Como tantas outras vezes, no tabuleiro de jogo, quem está pagando com sangue e sofrimentos esta situação, é o povo da Líbia, que vai ter em frente, além do exército de seu tirano Kadafi, as tropas imperialistas.
O governo espanhol do social-liberal de Zapatero, até agora fiel aliado dos tiranos Bem Alí, Mubarak e Kadafi, longe de tomar medidas necessárias para fazer frente as conseqüências da crise sobre as classes populares, segue os ditames das potências imperialistas, autorizando o uso das bases de Rota y Marón pelas forças imperialistas da OTAN, e implicando o Estado Espanhol em uma criminal agressão de cujas futuras conseqüências será diretamente responsável.
O PCE (ml) exige o fim agressão contra o povo Líbio e a retirada imediata do exército monárquico espanhol desta operação.
Chamamos a solidariedade com os povos árabes em sua luta pela dignidade e pela conquista de seus direitos democráticos, sociais e nacionais.
Chamamos também todas as organizações e pessoas progressistas a participarem nas mobilizações de apoio e solidariedade com os povos árabes em luta.
Solidariedade ao povo da Líbia!
CONTRA O IMPERIALISMO!
VIVA O INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO!

A invasão da Líbia e o imperialismo humanitário

É preciso pensar seriamente - com um pingo de juízo crítico - o que significa a aprovação da Resolução 1973 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (que autoriza o uso da força na Líbia com base no Capítulo VII da Carta da ONU).

O mundo vive novamente um momento crítico e decisões legitimadas a partir de argumentos de retórica como a salvaguarda dos direitos humanos estão sendo tomadas para defender os interesses políticos e econômicos das potências ocidentais.

Brasil, Alemanha, China, Russia e Índia se absteram da votação, mas não questionaram as motivações imperialistas por trás da articulação política da ONU. A Embaixadora Maria Luísa Viotti, em sua intervenção na reunião do dia 17/03, somente declarou que "estamos também preocupados com a possibilidade de que tais medidas tenham os efeitos involuntários de exacerbar tensões no terreno e de fazer mais mal do que bem aos próprios civis com cuja proteção estamos comprometidos. Muitos analistas ponderados notaram que importante aspecto dos movimentos populares no Norte da África e no Oriente Médio é a sua natureza espontânea e local. Estamos também preocupados com a possibilidade de que o emprego de força militar conforme determinado pelo OP 4 desta resolução hoje aprovada possa alterar tal narrativa de maneiras que poderão ter sérias repercussões para a situação na Líbia e além".

A questão é delicadíssima e preocupante. Caso o Brasil votasse contra a Resolução, seria taxado pelos outros Embaixadores e pela mídia internacional de ser uma nação "anti-direitos humanos". E essa imagem nós não queremos para nossa recente democracia, não é mesmo? Outro ponto seria estratégico: iríamos comprar essa briga porque? Brigar com os grandes justo agora que Barack Obama veio ao Brasil propôr crescimento econômico conjunto?

Em suma: o Brasil foi cooptado pelo discurso dos direitos humanos.

E o engraçado é a forma como a mídia trata a questão. O Jornal Nacional - reconhecido veículo de comunicação com o povo brasileiro -, por exemplo, exibiu uma matéria de cinco minutos para explicar o que está acontecendo na Líbia através da velha forma midiática importada da CNN: a diabolização do "ditador" do momento para justificar a agressão militar.


Mas os fatos são bem mais complexos e indicam um retorno ao imperialismo neocolonial. A operação "Odyssey Dawn" esconde os verdadeiros motivos da intervenção líbia, que não são mistérios para ninguém. A história se repete: cria-se o discurso (se constrói a imagem do inimigo) e legitima-se a intervenção bélica sem maiores tumultos. Noam Chomsky deve estar realmente frustrado por ter escancarado esse esquema cínico do imperialismo por anos e anos (em palestras, discursos e textos) e ninguém dar a mínima.

O mundo pensa que o que está acontecendo no norte da África é uma coisa só, uma admirável e orgânica manifestação pró-democracia, mas não é. O que ocorreu na Tunísia difere do que aconteceu no Egito, que difere do que está ocorrendo na Líbia, no Iêmen e no Bahrein.

A intervenção, de fato, embaralhou as cartas da revolução árabe. Como escreveu Bruno Cava (no excelente texto chamado "O Império Enquadra a Revolução"), a intervenção militar na Líbia quebrou o seu encanto: "Passou o momento romântico e febricitante, que na Praça Tahrir condensava seu devir revolucionário. Enganou-se quem avaliava que a atmosfera geopolítica dos anos 2000 e seu discurso guerra & democracia estava superada com a eleição de Obama e a falência do neoliberalismo". Arremata ele, alertando para o que está por vir: "cinicamente, vestida de humanidade e altos princípios, a ordem imperial continua operando no capitalismo mais perverso, o que depende da guerra. Os senhores da contrarrevolução não mais hesitarão em rugir seus canhões: o mais barulhento dos argumentos. Daqui por diante, a revolução é morro acima".

O discurso é realmente repleto de cinismo. Como bem apontou Andrea Catona da revista italiana L'Ernersto, "os mesmos que apregoam a urgência da guerra humanitária contra a Líbia, que dizem ser impossível adiar para amanhã, nem sequer levantaram a voz para deplorar a violência que Israel desencadeou entre Dezembro/2008 e Janeiro/2009 contra a população de Gaza, prisão a céu aberto para os palestinos, e que causou milhares de vítimas. Tão pouco preocuparam-se com a violência mortífera dos governos do Bahrein e do Iêmen, ou da Arábia Saudita (um Estado que ostenta o nome de uma dinastia!) quando intervém com as suas tropas contra manifestantes. São estas mesmas petro-monarquias – dos emirados à Arábia – de mãos com os Estados Unidos, que enviam armas e tropas aos insurrectos contra Kadafi. Os quais – seja qual for a sua consciência subjetiva (dentre eles encontramos antigos ministros e altos funcionários da Jamahiriya) – são o instrumento de que se servem as forças imperialistas para por a pata sobre o país, não só pelos seus importantes recursos energéticos como também pela sua posição geográfica para o Mediterrâneo e para a África".

Março de 2011, mutatis mutandis, repete o ocorrido em Março de 1999, quando a OTAN invadiu Kosovo por razões humanitárias e inaugurou um novo tipo de intervenção "legítima" no Direito Internacional, a "intervenção humanitária". Alguém se lembra desse trágico episódio?

Felizmente, Chomsky nos ajuda a lembrar a história recente. No caso da Sérvia, a "nova ordem internacional" tratou de atribuir-se legitimidade para agir em nome da "comunidade das nações", usando a força sempre que considerasse adequado e em obediência às "modernas noções de justiça". O ataque chomskyano é ácido e direto: são as grandes potências ocidentais, mais do que tudo através da OTAN, que praticam crimes internacionais (genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra), sob o manto de construção da democracia e de respeito aos direitos humanos.

Afinal, que momento é esse que o mundo vive no pós-Guerra Fria?

Na opinião do professor belga Jean Bricmont, trata-se do Impérialisme Humanitaire. Tal imperialismo humanitário baseia-se na utilização do discurso retórico dos direitos humanos para promover a guerra e eliminar "potenciais Hitlers". Essa foi a conclusão de Bricmont a partir do estudo de caso de Kosovo, que resultou num livro publicado em 2006 ("L'idéologie de notre temps, en tout cas en ce qui concerne la légitimation de la guerre, n'est plus le christianisme, ni la " mission civilisatrice " de la République, mais bien un certain discours sur les droits de l'homme et la démocratie, mêlés à une représentation particulière de la deuxième guerre mondiale. C'est à ce discours et à cette représentation qu'il faut s'attaquer si l'on veut construire une opposition radicale et sans complexe aux guerres actuelles et futures").

Com a Líbia, intensifica-se a utilização deste discurso para fins bélicos e intervencionistas. "Douze ans plus tard, c’est l’histoire du Kosovo qui se répète", afirmou Bricmont essa semana. Para o autor belga, a intervenção líbia não se funda somente da futura utilização do petróleo líbio - pois esse seria um argumento muito simplista -, mas trata-se duma última tentativa de os Estados Unidos da América assumirem a posição de líderes do mundo e de legitimarem a utilização de intervenções humanitárias, tão desgastadas pelos insucessos no Afeganistão e Iraque ("L’argument principal en faveur de la guerre, du point de vue des Etats-Unis, est que, si tout se passe vite et facilement, cela réhabilitera l’OTAN et l’ingérence humanitaire, dont l’image a été ternie par l’Irak et l’Afghanistan").

Um novo Kosovo é exatamente o que era preciso para o Imperialismo Humanitário. A articulação com a ONU foi, portanto, meticulosamente pensada pelos estrategistas do governo e da OTAN.

A América Latina, liderada pelo Brasil, propõe o caminho correto: a mediação numa perspectiva dialógica, o que é de plano rejeitado pelas potências ocidentais.

Os governos de esquerda latino-americanos querem a paz e o respeito à soberania nacional (algo elogiado por Bricmont: "la gauche d’Amérique Latine veut la paix et ils veulent empêcher l’intervention des Etats-Unis car ils savent qu’ils sont dans leur ligne de mire et que leur processus de transformation sociale exige d’abord et avant tout la paix et la souveraineté nationale"). Note que os BRICS (Brasil, Russia, Índia e China) votaram de forma articulada, mas sem força suficiente para criar uma efetiva oposição.

O mundo assiste ao patético declínio do Império americano (os "promotores da democracia e dos direitos humanos"), a maior potência bélica do mundo. Não há dúvidas que a intervenção na Líbia foi previamente planejada há algum tempo, por outros motivos. O discurso dos "direitos humanos" é um grande manto que tudo legitima, algo que precisa ser combatido. Afinal, se é para proteger de fato os direitos humanos (tal como proposta na belíssima Carta da ONU) devemos tutelá-los em todos os níveis, eliminando Guantánamo e encerrando a tortura de supostos "terroristas".

E mais: até quando o mundo vai aceitar que quinze países do Conselho de Segurança representem toda a "Comunidade Internacional"? Qual a legitimidade desta instituição hoje?

Uma pena que a proposta latino-americana não tenha sido adotada, a do mais amplo diálogo. A situação é caótica. A esquerda também foi vencida pelo discurso de que "centenas de líbios estão sendo fuzilados pelo regime de Gaddafi (ou Kadafi)". De fato, qualquer um se sensibilizaria com tal situação. Infelizmente ou felizmente - existem diversos pontos de análise -, a ofensiva internacional já está em curso.

Como bem avaliou o italiano Catona, a paz não serve às potências que, em concorrência entre si, querem retomar "seu lugar ao sol": "Esta guerra interna na Líbia foi alimentada pelas potências que hoje dizem querer trazer a paz e a democracia: aos insurrectos de Benghazi chegam armas, equipamentos e conselheiros militares das potências ocidentais. Alimenta-se a guerra civil para justificar a agressão externa. Velha história...".

Tudo está acontecendo tão rapidamente que é difícil avaliar os impactos e consequencias desses primeiros três meses vividos nesse ano.

Mesmo assim, é preciso um esforço para além de nossas atividades intelectuais cotidianas para pensar questões que fazem parte de nossa existência como, por exemplo, a questão do discurso retórico dos direitos humanos para legitimar intervenções militares, tal como na Líbia agora.

O importante é manter-se informado e sempre desconstruir os consensos fabricados num processo dialético. Não tenho dúvidas de que pensar hoje é, cada vez mais, um assombro subversivo. Entretanto, é o único caminho para a libertação do homem.

tamaraty reforça rejeição a intervenção militar internacional na Líbia

BRASÍLIA - O Itamaraty divulgará ainda nesta segunda-feira, 21, uma nota pedindo o fim dos ataques das coalizão internacional contra as tropas do ditador Muamar Kadafi na Líbia. Os ataques começaram no sábado, um dia após o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovar uma intervenção no país africano.

Veja também:
especialTwitter:
Acompanhe os relatos de Lourival Sant'annaespecialLinha do Tempo: 40 anos de ditadura na Líbiablog Arquivo: Kadafi nas páginas do EstadoespecialInfográfico:  A revolta que abalou o Oriente Médio
especialCharge: O pensamento vivo de Kadafi
 Horas depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, deixar o Brasil rumo ao Chile, o governo brasileiro decidiu reforçar sua posição contrária à intervenção militar na forma que está sendo feita. Caças e outros aviões de guerra de exércitos estrangeiros estão atacando as forças leais ao ditador líbio.
O texto da nota, debatido diretamente entre o chanceler Antonio Patriota e a presidente Dilma Rousseff, apontará que, como o Brasil previu na votação do Conselho de Segurança da ONU, os ataques estão tendo o efeito contrário e aumentando o número de mortes no País.
Na votação da sexta-feira, apenas Brasil, Rússia, Índia, China e Alemanha se abstiveram de votar a favor da imposição da resolução que previa a imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia e o uso de todos os meios para defender os civis líbios. Os outros dez membros do Conselho de Segurança - EUA, França, Reino Unido, Líbano, Bósnia, Nigéria, Gabão, Portugal, África do Sul e Colômbia - aprovaram o texto.
O tom brasileiro deve seguir as reclamações feitas pela Liga Árabe, que, embora tenha apoiado a intervenção inicialmente, alegou que houve excessos nas ações que causaram mais danos aos civis. Desde as negociações para a criação de uma zona de exclusão aérea o Brasil tem se alinhado às posições dos países árabes.
Os ataques da coalizão internacional - formada por EUA, França, Reino Unido, Itália, Canadá, Qatar, Noruega, Bélgica, Dinamarca e Espanha - começaram no sábado. O governo líbio declarou um cessar-fogo, mas os ataques das forças de Kadafi contra os rebeldes que querem derrubá-lo continuam. O ditador está no poder há 41 anos.


Noticia orignial

sexta-feira, 18 de março de 2011

Projetos de melhoria do ensino podem valer bolsa em Portugal

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em parceria com a Universidade de Coimbra, de Portugal, lança nesta quarta-feira, 16, a nova edição do Programa de Licenciaturas Internacionais Capes-UC, que seleciona projetos de melhoria do ensino e da qualidade na formação inicial de professores nas áreas de química, física, matemática, biologia, português, artes e educação física. As inscrições vão até o dia 28 de abril.

O objetivo é estimular o intercâmbio de estudantes de graduação em licenciaturas em nível de graduação-sanduíche, com apoio do Grupo Coimbra de Universidades Brasileiras (GCUB). Os projetos de parceria institucional selecionados terão atividades iniciadas em setembro de 2011.

Modalidades de Apoio – Para os estudantes brasileiros de graduação, cujo período de permanência no exterior deve ser de 24 meses, os benefícios são seguro saúde e auxílio instalação, pagos em uma única vez, no Brasil; bolsa no valor de € 600 por mês, e passagem aérea.

O programa prevê, ainda, missões de trabalho, com duração mínima de dez e máxima de 30 dias, com o objetivo de facilitar a integração dos alunos à nova cultura universitária; ajustar as respectivas estruturas curriculares; acompanhar o desenvolvimento do projeto; avaliar os seus impactos; manter comunicação permanente entre as instituições envolvidas, e sistematizar informações a respeito do programa que possibilitem a geração de banco de dados.

Entre os benefícios estão seguro saúde e diárias, além de passagens aéreas de ida e volta, no trecho Brasil-Portugal. O número máximo de participantes é de duas pessoas por ano, incluindo o coordenador do projeto. Os recursos devem ser utilizados conforme previsto no Manual de concessão e prestação de contas de auxílio financeiro a pesquisador.

Serão apoiados até 30 projetos. Cada projeto poderá contemplar até sete estudantes, totalizando o número máximo de 210 estudantes.

Candidaturas – Para inscrição, as propostas devem ter caráter institucional e priorizar ações preferencialmente para um conjunto de cursos de licenciatura da respectiva instituição. Além disso, a instituição brasileira deve possuir acordo com a Universidade de Coimbra, em Portugal, e ser membro de rede de universidades com vocação para cooperação internacional. O coordenador deve ser um docente com título de doutor há pelo menos cinco anos, que detenha reconhecida competência na área e disponibilidade de tempo para as atividades acadêmicas e administrativas referentes ao projeto. A equipe deve ter, ainda, pelo menos outros dois docentes doutores.

Os bolsistas devem ter cursado dois semestres da graduação (licenciatura ou sistema de ciclos) nas áreas elencadas no edital, ter cursado todo o ensino médio e pelo menos dois anos do ensino fundamental em escolas públicas brasileiras e ter obtido aprovação integral nos estudos realizados.

Outros requisitos para inscrição encontram-se no edital.

Inscrição – As inscrições serão gratuitas e efetuadas por meio do preenchimento de formulários e envio de documentos discriminados no edital, exclusivamente via internet, pela página da Capes. A documentação complementar deverá ser incluída, obrigatoriamente, no ato do preenchimento da inscrição na internet, em arquivo eletrônico.

A seleção se desenvolverá em quatro fases, todas de caráter eliminatório, sendo elas verificação da consistência documental, análise de mérito, priorização das propostas e reunião conjunta. Os resultados serão divulgados em agosto deste ano.

Mais informações podem ser obtidas pelo endereço eletrônico cpro@capes.gov.brEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Assessoria de Comunicação da Capes
Notícia original  

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mercadante garante segurança das usinas nucleares brasileiras

O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, afirmou nesta terça-feira (15/3), em entrevista coletiva, que as usinas nucleares brasileiras atendem a todas as exigências de segurança internacionais e que não há riscos de incidentes como os ocorridos em usinas do Japão, em decorrência do terremoto, seguido por tsunami, que abalou o país nos últimos dias.
Mercadante frisou que o episódio do Japão deverá resultar em novos protocolos internacionais de segurança e que, caso isso realmente ocorra, o Brasil prontamente atenderá às novas regras estabelecidas pela Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEN), a exemplo do que já foi feito em 1979 – em decorrência de acidente nuclear na usina de Three Mile Island, nos Estados Unidos – e em 1986 – quando houve o acidente na usina de Chernobyl, na Rússia.
“Seguramente esse episódio de 2011 no Japão deverá estabelecer novos protocolos de segurança, uma série de medidas prudenciais para que esse episódio não se repita. O Brasil participará no âmbito da Agência Internacional de Energia Nuclear e seguirá todos os protocolos internacionais. O Brasil estará associado a essas exigências prontamente.”
O ministro informou que os sistemas de segurança das usinas brasileiras e japonesas são diferentes, o que praticamente exclui a possibilidade de incidente semelhante no Brasil. Além disso, ressaltou, o país não possui histórico de terremotos e tsunami e, no caso de Angra dos Reis (RJ), onde há a incidência de chuvas, alagamentos e desabamentos, as usinas estão “blindadas” contra esse tipo de desastre.
Ele disse ainda que a presidenta Dilma Rousseff acompanha “com bastante atenção” o caso e que solicita frequentemente informações sobre o caso japonês, e que tanto o MCT quanto a Casa Civil estão trabalhando “em sintonia”. Sobre atitudes preventivas por parte do governo brasileiro, o ministro afirmou que o Brasil aguardará por informações e recomendações oficiais.
“O governo brasileiro não tomará nenhuma atitude que não tenha segurança como preliminar. As lições do Japão, ou eventuais erros, ajudarão o Brasil nesse sentido (…). Devemos aguardar e acompanhar o diagnóstico para ver quais serão as medidas adicionais que o Brasil terá que tomar”, disse.
Outra informação apresentada por Mercadante é que o ministério, a partir de agora, disponibilizará “todas as informações oficiais” em tempo real, afim de esclarecer a população e a imprensa sobre a questão nuclear em âmbito mundial. Além disso, o ministério já instituiu um grupo de trabalho de plantão para avaliar e acompanhar a agenda.

terça-feira, 15 de março de 2011

Semana do Hip Hop discute volência contra a juventude negra

Da redação

Começou neste domingo (13), em São Paulo, a Semana do Hip Hop 2011. As atividades, gratuitas, acontecem até o dia 19 de março na Câmara Municipal de São Paulo, Galeria Olido, em quatro CÉUS e Boulevard São João.
Com o tema Hip Hop Combatendo a Violência Contra a Juventude Negra, a Semana do Hip Hop 2011 discutirá a questão do genocídio da juventude negra no centro de São Paulo e principalmente nas periferias
Os encontros e discussões do Fórum ocorrem a partir de oito eixos temáticos: difusão do Hip Hop; elaboração de políticas públicas de juventude; inserção do Hip Hop como tema transversal da educação; combate à discriminação de gênero; organização de uma agenda do Hip Hop na cidade; combate à discriminação racial; atuação contra a violência policial; e debate sobre geração de emprego e renda.
A Semana do Hip Hop 2011 é realizada pelo Fórum de Hip Hop Municipal SP em parceria com a Prefeitura da capital, representada pelas secretarias de Cultura, Educação e Participação e Parceria.
O Fórum Hip Hop Municipal SP, criado em 2005, é um espaço e canal de diálogo entre os jovens do Movimento Hip Hop e as representações da administração pública municipal com objetivo de discutir políticas públicas e criar critérios que direcionem a relação entre o Estado e os jovens, garantindo que não haja privilégios de uns em detrimento de outros setores.
Mais informações podem ser acessadas pelo endereço eletrônico forumhiphopeopoderpublico.blogspot.com.

Veja, a seguir, a programação da Semana do Hip Hop 2011.

Segunda-Feira dia 14/03/2011
Horário: 15:00hs/17:00hs
Tema Principal: “O Hip-Hop combatendo a violência contra juventude negra”
Local: Câmara Municipal de São Paulo - Viaduto Jacarei, 100 - Auditório Prestes Maia - 1ºandar

Horário: 19:00hs/21:00hs
Cine/Projeção de Clipes Hip-Hop Produção Brasileira - Sala Mario Pedrosa (Espaço Expositivo – Sobreloja)
Local: Galeria Olido - Avenida São João, 473
19:00hs/21:00hs Inicio das apresentações artísticas
Apresentações Freestyle: Toca discos, microfones e pistas livres

Terça-feira dia 15/03/2011 Zona Leste
Tema Principal: “O Hip-Hop combatendo a violência contra a juventude negra: "Mulher – Saúde Educação"
Local: CEU Inácio Monteiro - Rua Barão Barroso do Amazonas, s/nº - Cidade Tiradentes
16:00hs/17:30hs – Workshops Quatro Elementos
18:00hs/19:30hs- “O Hip-Hop combatendo a violência contra juventude negra: Mulher – Saúde – Educação”
19:30hs-21:25 : Apresentações artisticas dos quatro elementos

Quarta-feira dia 16/03/2011 Zona Sul
Tema Principal: “O Hip-Hop combatendo a violência contra a juventude negra: “Drogas – Geração de renda – Segurança Pública”
Local:CEU Casa Blanca - Rua João Damasceno, 21500- Vila das Belezas
16:00hs/17:30hs – Workshops Quatro Elementos
18:00hs/19:30hs-“O Hip-Hop combatendo a violência contra a juventude negra: “Drogas- Geração de renda – Segurança Pública”
19:30hs-21:25 : Apresentações artisticas dos quatro elementos

Quinta-feira dia 17/03/2011 Zona Oeste
Tema Principal: “O Hip-Hop combatendo a violência contra a juventude negra: "Racismo – Exclusão – Descaso Urbano"
Local:CEU Perus
Rua Bernardo José de Lorena, s/n
16:00hs/17:30hs – Workshops Quatro Elementos
18:00hs/19:30hs-“O Hip-Hop combatendo a violência contra a juventude negra: Racismo – Exclusão – Descaso Urbano”
19:30hs-21:25 : Apresentações artisticas dos quatro elementos

Sexta-feira dia 18/03/2011 Zona Norte
Tema Principal: “O Hip-Hop combatendo a violência contra a juventude negra: “Políticas Públicas (Federal, Estadual, Municipal) – Qualificação – Implementação - Acesso”
Local:CEU Jaçanã -Rua Antônio César Neto, 105
16:00hs/17:30hs – Workshops Quatro Elementos
18:00hs/19:30hs-“O Hip-Hop combatendo a violência contra a juventude negra:
“Políticas Públicas (Federal, Estadual, Municipal) – Qualificação – Implementação - Acesso”
19:30hs-21:25 : Apresentações artisticas dos quatro elementos

Sábado dia 19/03/2011 Zona Central Horário: 09:00hs/21:00hs
Local: Galeria Olido - Avenida São João, 473
Workshop: 10:00hs/ 13:00hs
13:00hs/21:00hs – Apresentações de encerramento

Japão pede ajuda dos EUA para resfriar reatores nucleares

O governo japonês solicitou formalmente aos Estados Unidos ajuda para resfriar os reatores nucleares danificados pelo terremoto no Japão na semana passada, informou nesta segunda-feira a Comissão Reguladora da Energia Nuclear (NRC) americana.
Em entrevista coletiva na Casa Branca, o presidente da comissão, Gregory Jaczko, indicou que a NRC respondeu ao pedido e pode fornecer assistência técnica. A NRC já conta com dois técnicos presentes no Japão, que têm como missão informar à embaixada americana sobre o desenvolvimento dos eventos dentro de uma equipe da Agência Internacional americana para o Desenvolvimento (USAID). "É uma situação séria e seguiremos fornecendo toda a assistência que for solicitada", declarou Jaczko.
Tanto Jackzo como o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, asseguraram que apesar do ocorrido no Japão, o Governo não mudará sua política de apoio à energia nuclear, um dos pilares da estratégia energética do presidente Barack Obama para reduzir a dependência do petróleo estrangeiro.

Usando máscaras, moradores de Koriyama, na província de Fukushima, se dirigem a um centro para terem terem seus níveis de radiação verificados (15/03)
Foto: AP
Usando máscaras, moradores de Koriyama, na província de Fukushima, se dirigem a um centro para terem terem seus níveis de radiação verificados (15/03)
Nesse sentido, o presidente da comissão indicou que as usinas nucleares americanas são construídas para suportar todo tipo de desastres naturais, incluindo tsunamis e terremotos. Carney não quis pronunciar-se, no entanto, sobre se essas construções estão preparadas para resistir um terremoto similar ao ocorrido no Japão. A energia nuclear, declarou por sua parte Carney, "continua sendo parte do plano energético do presidente... É uma parte essencial para alcançar padrões de energia limpa".
Previamente, em discurso em um centro de Ensino Médio, Obama havia reiterado que os Estados Unidos continuarão oferecendo toda a assistência possível ao Japão após o devastador terremoto registrado na semana passada. "Sigo desconsolado pelas imagens da devastação no Japão", indicou o presidente americano ao iniciar um discurso sobre a reforma educativa em uma escola de Arlington, na Virgínia.
De acordo com o jornal americano The New York Times, as operações de emergência do Japão para conter a crise no complexo nuclear de Fukushima Daiichi fracassaram na terça-feira de manhã (horário local), aumentando os riscos de um vazamento de material radioativo maior. O reator número 2 de Fukushima Daiichi voltou a ficar instável apesar da injeção de água salgada em seu contêiner secundário para tentar resfriar o núcleo e impedir uma fusão que emita radioatividade.
Exposição
Nesta segunda-feira, barras de combustível em um reator nuclear japonês atingido pelo terremoto que devastou o país na sexta-feira ficaram expostas por dois, informou a operadora da usina no nordeste do Japão, a Tokyo Electric Power Co. (Tepco).
A informação se refere ao reator número 2 do complexo Fukushima Daiichi, onde os índices de água para resfriamento em volta do núcleo do reator baixaram após a explosão do reator 3 da usina, que destruiu o teto e as paredes da instalação. Segundo a agência Jiji, a possibilidade do derretimento das barras de combustível não poderia ser descartada, com a fusão parcial do núcleo de um dos reatores. O derretimento aumentaria o risco de danos ao reator e de um possível vazamento nuclear, dizem especialistas.
A estação de bombeamento que permite manter submersas as barras de combustível parou de funcionar, o que reduziu o nível de água no reator e manteve 3,7 metros das barras de combustível (que têm 4 metros) expostas ao até pelo menos às 20h07 desta segunda-feira (08h07 no horário de Brasília). As barras voltaram a ficar expostas posteriormente.
Diante dessa situação, a empresa usou água do mar diretamente no reator para afundar as barras de combustível nuclear e conter o eventual processo de fusão. Apesar das informações, o porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, descartou a possibilidade de uma grande explosão no reator.
O reator 2 é o terceiro da usina nuclear de Fukushima a sofrer uma pane no seu sistema de resfriamento. Problemas semelhantes causaram explosões em outros dois reatores, informou o operador da instalação. Mais cedo, a segunda explosão atingiu o reator número 3 de Fukushima, dois dias depois de um incidente semelhante envolvendo o reator número 1.
Segundo a agência de segurança nuclear do Japão, a explosão foi causada por um acúmulo de hidrogênio. O incidente deixou 11 feridos, um deles em estado grave. Mas as autoridades afirmaram que o reator número 3 resistiu ao impacto. O núcleo da estrutura teria permanecido intacto e os níveis de radiação, abaixo dos limites considerados legalmente perigosos.
Ainda assim, dezenas de milhares de pessoas foram retiradas das proximidades da instalação e 22 estão sob tratamento por exposição à radiação. O governo informou que o sistema de bombeamento de água do mar para os reatores permanece em operação apesar da última explosão.
No fim de semana, técnicos trabalharam para resfriar os três reatores da usina Fukushima 1, que tiveram problemas em seu sistema de resfriamento após o terremoto e o tsunami na sexta-feira.
O porta-voz do governo, Yukio Edano, afirmou que há baixa possibilidade de contaminação por radiação por conta da última explosão. Especialistas creem que é improvável uma repetição do desastre nuclear das proporções de Chernobyl, em 1986, porque os reatores atuais são construídos com padrões mais elevados e sob medidas de segurança mais rigorosas.
O acidente nuclear de Fukushima alcançou um nível de gravidade maior do o de Three Mile Island, em 28 de março de 1979, mas não chegou ao nível de Chernobyl, de 1986, afirmou o presidente da Autoridade Francesa de Segurança Nuclear (ASN), André-Claude Lacoste. "Temos a impressão de que estamos pelo menos em nível 5 ou nível 6 (de uma escala de 7)", indicou Lacoste à imprensa. "É algo além de Three Mile Island (nível 5) sem alcançar Chernobyl (nível 7). Estamos com toda certeza num nível intermediário, mas não se pode descartar que podemos chegar a um nível da catástrofe de Chernobil", acrescentou.


Devastação
Uma gigantesca operação foi posta em marcha para resgatar os mortos e desaparecidos no desastre natural. A repórter da BBC Rachel Harvey, que está na cidade portuária de Minami Sanriku, disse que as águas avançaram cerca de 2 km terra adentro, devastando a paisagem com destroços.
A repórter disse que o cenário é de extrema devastação e é improvável que haja muitos sobreviventes. Até agora foram confirmados 1.833 mortos, mas o número final deve ser muito maior. A agência de notícia Kyodo News afirmou que foram encontrados cerca de 2 mil corpos na região administrativa de Miyagi nesta segunda-feira, mas os números não foram confirmados oficialmente.
Em Sendai, capital de Miyagi, a 300 km de Tóquio, as equipes de resgate também estão encontrando cenas de devastação. Réplicas do terremoto de sexta-feira estão sendo registradas na capital japonesa.
Crise
Mais cedo, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, anunciou que o país passará a enfrentar cortes no fornecimento de energia. Depois, o governo decidiu adiar os cortes até ficar claro qual será a economia de energia nas residências.
As autoridades estão aconselhando os cidadãos a não ir para o trabalho nem levar seus filhos à escola, para evitar sobrecarregar a debilitada capacidade do sistema de transporte público. O premiê disse que o desastre mergulha o país "na crise mais grave desde a Segunda Guerra Mundial".
Estimativas preliminares elevam os custos de recuperação da tragédia em dezenas de bilhões de dólares - um forte golpe para o país, em um momento em que a economia mundial dá sinais de retomada. O governo afirmou que injetará 15 trilhões de ienes na economia japonesa (mais de US$ 180 bilhões) para dar um sinal positivo para o mercado financeiro, que abriu em queda nesta segunda-feira.
*Com BBC, Reuters, EFE e AFP

sábado, 12 de março de 2011

O silêncio internacional diante das ditaduras

As revoltas não só desafiam a repressão dos regimes, mas também o implícito apoio ocidental aos tiranos mediante a economia



Mónica G. Prieto
Periodismo Humano

“É a economia, estúpido!”. A famosa frase de James Carville, assessor de Bill Clinton durante a campanha eleitoral que o levou à Casa Branca em 1992, serve para responder as perguntas que muitos fazem. Por que o insuportável silêncio internacional diante das legítimas rebeliões de populações que exigem liberdade, dignidade econômica e pessoal e democracia? Por que se tem tolerado durante décadas os abusos aos direitos humanos das ditaduras aliadas do Ocidente que têm gerado a atual revolução que percorre o mundo árabe, desde Marrocos até a Arábia Saudita? O que explicava as visitas de Estado a regimes ditatoriais e cleptocracias, os abraços e beijos com os autocratas árabes, as bênçãos a sistemas de governo em desacordo com a legalidade? A resposta são bilhões de dólares e uma estabilidade regional que tem beneficiado a Europa e os Estados Unidos e seu principal aliado regional, Israel, em troca da insegurança das populações árabes.
O mérito dos manifestantes árabes que estão colocando em sérios apertos, quando não derrubando, seus regimes é enorme. Não só enfrentam um aparato de segurança repressor – o que os condena, em caso de fracasso, a serem perseguidos e provavelmente massacrados – mas também ao mundo inteiro desde o momento em que os ditadores contra quem se levantam estão ligados com o resto dos países mediante vínculos difíceis de se quebrar: contratos comerciais que não entendem de ideologia nem de moral.
Essa é a razão pela qual os documentos das ONG denunciando torturas, repressão, ausência de liberdades e eleições arranjadas nunca produziram a mais mínima sombra sobre os regimes amigos: Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Egito, Emirados Árabes, o atual Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbia, Mauritânia, Omã, Qatar, Tunísia, Iêmen, Sudão, Marrocos... De fato, consultando os informes redigidos pelos escritórios comerciais espanhóis nos citados países ninguém desconfiaria da legitimidade dos regimes e, sobretudo, ninguém duvidaria dos proveitosos negócios que trazem aos Estados Unidos ou à Europa. À custa, isso sim, dos excessos que se cometem contra suas populações. Este é um resumo do que queriam ver nossos governos no Oriente Médio e no norte da África e do que viam seus cidadãos, pelo qual estão se levantando em massa contra seus ditadores.
Arábia Saudita: Com uma economia dependente da exportação de petróleo, a Arábia Saudita depende das exportações exteriores dada sua escassa produtividade em qualquer outro setor. Uma circunstância bem aproveitada por seus sócios internacionais. Entre seus principais provedores figuram Estados Unidos (com negócios avaliados em mais de 13,6 bilhões de dólares em 2009), ou China (10,8 bilhões no mesmo ano) e de forma mais modesta França (3,8 bilhões), Itália (3,5 bilhões) e Grã Bretanha (3,4 bilhões). Espanha figura entre os 10 principais países clientes com negócios no valor de quase 3,4 bilhões de dólares em 2009.
Assim mesmo, em novembro passado negociava a venda de 200 carros de combate que deveria lhe render 3 bilhões de euros, o maior contrato da indústria armamentista espanhola. Para que serviriam esses carros? As últimas atuações conhecidas do Exército da Arábia Saudita, um regime wahabi (a versão mais radical do Islamismo sunita, que implica a segregação absoluta de sexos e relega as mulheres a uma condição de segunda classe) cuja fonte de jurisprudência é a Sharia (código de leis do islamismo), tem tido como cenário Bahrein e Iêmen No primeiro, ativistas do reino denunciaram a entrada de militares sauditas para apoiar a monarquia na repressão das manifestações; no segundo aconteceu há alguns meses, quando o Exército saudita atacou posições dos huthis, rebeldes xiitas armados situados na fronteira entre Iêmen e Arábia Saudita, em um ataque sectário.
No país da dinastia dos Saud, não só a pena de morte está vigente (que se realiza por decapitação e está aumentando, segundo as autoridades locais porque o crime tem crescido) mas também aplicam-se castigos corporais: as amputações de mãos e pés por roubo ou a flagelação por delitos menores como “desvio sexual” - em referência à homossexualidade e a sodomia – e a embriaguez. A discriminação das mulheres, que carecem dos mínimos direitos – sua situação é muito mais grave que no Afeganistão – chega inclusive às suas próprias casas. Não têm direito de votar nem de dirigir, nem sequer podem caminhar sozinhas sem um homem que lhes acompanhe. Não há liberdade de culto, tampouco liberdades sexuais nem liberdade de reunião, imprensa ou de expressão. Os sindicatos estão proibidos, assim como os partidos políticos. Tal como seus sócios europeus, a Espanha parece importar-se pouco com semelhantes minúcias. Entre 1993 e 2008, segundo dados do Ministério da Indústria, Turismo e Comércio, a Arábia Saudita investiu na Espanha mais de 70 milhões de euros. Os habitantes da Arábia Saudita estão convocados a protestos nos dias 11 e 20 de março.
Argélia – Como no caso de Marrocos e Mauritânia, na Argélia – grande produtor de gás – a Espanha tem amplos acordos de cooperação que incidem positivamente em seus negócios. O governo de Madri é o quarto país provedor, depois da França (6,1 bilhões de dólares), China (4,7) e Itália (3,7), com importações no valor de quase 3 bilhões de dólares anuais. Em troca, Espanha importa gás argelino no valor de 3,9 bilhões de euros ao ano, sendo o terceiro país cliente do regime argelino. Entre suas exportações figuram aeronaves no valor de meio milhão de euros.
Enquanto os governantes trocam apertos de mão, o estado de emergência que impera no país durante 19 anos tem justificado detenções irregulares, processos judiciais duvidosos, desaparições forçadas, torturas, abusos policiais e restrições à liberdade de expressão, de impressa e civis. Desde 1993, estima-se entre 30 e 40 mil o número de desaparecidos. Os argelinos protestam contra seu governo desde dezembro de 2010 e exigem medidas contra o desemprego, a falta de moradia, a inflação, a corrupção, a falta de liberdades. Sua primeira vitória: a anulação do estado de emergência que justificava as detenções irregulares de milhares de pessoas há décadas.
Bahrein – Este pequeno reino petrolífero povoado por quase 70% de xiitas e governado por uma dinastia sunita há dois séculos é um sócio comercial privilegiado da Arábia Saudita – daí seu enorme apoio à monarquia bareinita, baseado em interesse econômico e estratégico porque à Riad, capital saudita, não interessa uma revolta popular que produza ideias dentro do reino wahabita – mas também do Japão, Estados Unidos e Alemanha, nesta ordem. Em troca, Bahrein exporta petróleo. Sua população xiita, enquanto isso, suporta uma discriminação dos sunitas que alcança todas as esferas: não podem aceder a postos públicos nem ingressar no Exército, denunciam que só podem morar nas piores moradias e cada vez tem sido público que são reprimidos. As torturas são habituais nas prisões como em outros países do Golfo Pérsico, assim como a prisão arbitrária de dissidentes políticos. Segundo os ativistas, há cerca de 400 presos políticos nas prisões do país. O país não chega a um milhão de habitantes. As manifestações, reprimidas a sangue e fogo, têm conseguido até o momento a libertação de presos políticos e promessas de reformas democráticas.
Egito – Durante os 18 dias que durou a revolução popular que culminou na saída de Hosni Mubarak, apenas escutaram-se críticas europeias e as escassas proferidas pelos Estados Unidos soaram tímidas. Examinemos por quê: o primeiro sócio comercial do Egito é a União Europeia, que exportou bens no valor de quase 18 bilhões de euros em 2009. Dos países europeus, Itália, Alemanha, França e Reino Unido ocupavam os primeiros postos. Espanha é o sexto exportador do país dos faraós. Estados Unidos, contudo, é a terceira potência exportadora com negócios no valor de 5,3 bilhões de dólares no em 2009. Os informes das ONG não poderiam competir com semelhante volume de negócios, muitas vezes falaram de torturas recorrentes, detenções arbitrárias, violações em prisão para obter confissões e uma total impunidade policial. No entanto, milhões de egípcios venceram seu medo e saíram às ruas derrubando a ditadura e fazendo história. Um dos ativistas que fizeram os protestos, Wael Ghonim, alçava uma mensagem incontestável ao Ocidente depois de seu êxito: “Vocês não se meteram em 30 anos. Por favor, não se metam agora”.
Emirados Árabes Unidos (EAU) – O presidente José Luis Rodríguez Zapareto regressou de seu giro pelo Golfo eufórico pelos acordos econômicos firmados com os xeiques dos Emirados, mas sem mencionar as violações de direitos humanos. Em EAU – rico em gás e petróleo – a Espanha firmou negócios no valor de 1,9 bilhão de dólares somando-se assim a países como China, Estados Unidos, Alemanha e Índia, seus principais sócios comerciais. A ninguém incomoda que nos sete emirados a maioria da população (estima-se que 80%) seja de trabalhadores asiáticos que carecem de direitos, muitos dos quais são explorados e vivem em condições sub-humanas. As organizações defensoras de direitos humanos denunciam a falta de proteção e a discriminação que padecem. Além disso, nos emirados as instituições não são eleitas de forma democrática, e a liberdade de expressão e de imprensa passam por numerosas dificuldades.
Iêmen – Os protestos duram já dois meses e são diários: dezenas de milhares de iemenitas desafiam a cada dia o emprego da segurança e também os fiéis ao ditador Abdula Ali Saleh, há 32 anos no poder, para exigir o fim da ditadura. As primeiras concessões não tardaram a aparecer ante a pressão popular: Saleh renunciou à reforma constitucional que preparava para permanecer no posto de forma vitalícia, logo após renunciou a que seu filho o sucedesse, depois anunciou que não renovaria seu mandato após 2013, quando este expirará oficialmente, e agora oferece um governo de unidade nacional que a oposição e ativistas rechaçam. O ditador está cada dia mais só: sua tribo, assim como outros clãs determinantes do país mais pobre do Oriente Médio, retirou o apoio que dava a ele. O principal religioso iemenita, Abdul Majid al Zindani, uniu-se aos manifestantes, que exigem sua saída imediata e a instauração de uma democracia. Sua riqueza também reside nos hidrocarbonetos e seus principais parceiros comerciais são China, Índia, Emirados e Estados Unidos, com quem mantinha estreitas relações militares que permitiram bombardeios secretos norteamericanos contra supostos objetivos da Al Qaeda que se atribuem ao próprio Saleh, segundo desvendado mediante informes do Wikileaks. Em matéria de direitos humanos, as torturas, a repressão, a falta de liberdades, a detenção arbitrária de dissidentes e a colaboração com o programa de detenções extraordinárias norteamericano – o sequestro de cidadãos que são interrogados em países terceiros para permitir o uso de torturas na obtenção de confissões – é algo habitual. Estima-se que cerca de 30 pessoas morreram nas manifestações.
Kuwait – Enquanto o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, passeava pelos Emirados e Qatar, o rei Juan Carlos apertava a mão do Sheik Sabah al Ahmad al Jaber, o emir do Kuwait, uma monarquia supostamente constitucionalista onde o primeiro ministro é o sobrinho de Al Jaber e onde este elege a composição do governo. Seus familiares ocupam os principais postos do poder. Não existem partidos políticos ainda que se tolerem organizações ideológicas no Parlamento eleito, que pode ser dissolvido – como já ocorreu em cinco ocasiões – por desejo do emir. Estados Unidos, Japão, Alemanha e China são seus principais sócios comerciais; os hidrocarbonetos seu grande ativo. Com Washington tem uma relação principal que explica a existência de bases norteamericanas em território kuwaitiano. Suficiente para que ninguém levante a voz por causa das violações de direitos humanos como as citadas pela Anistia Internacional em seu informe de 2009. “Os trabalhadores e trabalhadoras migrantes continuam sofrendo exploração e abusos e exigiam proteção de seus direitos. Em alguns casos houve expulsão por ter participado de manifestações massivas. O governo prometeu melhorar suas condições. Processaram jornalistas. Denunciou-se um caso de tortura. Havia ao menos 12 pessoas condenadas à morte, mas não se teve notícia de nenhuma execução”. Os protestos no Kuwait, muito menores, têm gerado dezenas de feridos. O último protesto foi realizado na terça-feira (8), centenas de kuwaitianos exigiram a queda do primeiro-ministro e maior liberdade política.
Líbia – Petróleo e gás. Desde que Muammar al Gaddafi foi desclassificado como líder terrorista em 2002 e acrescentado à categoria de sócio ocidental, os negócios com a ditadura líbia – 40 anos de tirania – dispararam, ignorando a repressão interna e a ausência total de democracia. Gaddafi acabava sendo demasiadamente generoso para ser questionado quando investia 2 bilhões de dólares no Canadá ou 30 bilhões nos Estados Unidos. Agora, o uso de aviação militar contra manifestantes que exigem o final da tirania obriga os dirigentes internacionais a opor-se. Itália e Alemanha são seus grandes sócios comerciais, Espanha é o terceiro país cliente: importa principalmente petróleo e gás. Entre 1993 e março de 2008, investiu 189,36 milhões de euros na Líbia. As exportações espanholas em material de defesa aumentaram 7.700% em 2008.
Marrocos – As violações de direitos humanos, principalmente relacionadas com o Sahara Ocidental, nunca vêm à tona – nem sequer nos episódios mais violentos – com o sócio marroquino, muito amigo da Espanha e aliado da União Europeia e Estados Unidos. Entre seus principais parceiros comerciais figuram França, Estados Unidos, Suécia, Alemanha e Espanha. Assim como com a Argélia e Mauritânia, Madri mantém amplos acordos de cooperação com Rabat, capital do Marrocos, que incluem a venda de armas e material defensivo. Estima-se que a Espanha é o principal país provedor do reino alauí – dinastia que governa o país – depois da França e seu mercado representa a principal fonte de exportações espanholas de toda a África. Em 2009, Marrocos recebeu 30 milhões de euros em veículos militares espanhóis. O regime de Rabat foi inicialmente compreensivo com os manifestantes, que no dia 20 de fevereiro saíram às ruas para exigir reformas democráticas e econômicas, para depois atuar com contundência diante de qualquer indício de protesto.
Omã – Nesta monarquia absoluta, sem partidos políticos, e cujo sultão, Qabus al Said, derrubou seu pai em um golpe de Estado em 1970, os hidrocarbonetos são a chave de suas excelentes relações internacionais. Emirados, Índia, Estados Unidos e China são seus principais sócios comerciais, e em menor medida a Espanha, que entre 1993 e 2008 investiu 38 milhões de euros na economia do sultanato, Segundo a ONG Frontline, os ativistas de direitos humanos em Omã “sofrem perseguição, detenção arbitrária e torturas ao serem interrogados. Centenas de acadêmicos, jornalistas e comentaristas foram detidos em prisões massivas e deixados incomunicáveis sem nenhum tipo de assistência legal. Omã é signatário de três dos sete tratados fundamentais das Nações Unidas sobre os direitos humanos. As organizações independentes de direitos humanos não podem operar dentro do país”. Os protestos em Omã resultaram na morte de duas pessoas e exigem respeito aos direitos humanos, reformas políticas e econômicas que lutem contra a inflação e aumentem os salários e liberdade de informação.
Qatar – Outro dos destinos o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, que deu importantes frutos econômicos, com contratos acertados em 3 bilhões de euros – mais de 2,7 bilhões correspondem a investimentos em uma empresa energética e outra de telecomunicações e 300 milhões a uma caixa de poupança – e um dos poucos países a salvo, até o momento, dos protestos. Antecipando-se a qualquer contestação interna, o regime do Qatar – uma monarquia tradicional onde todas as decisões recaem na dinastia reinante – acaba de adiantar as eleições municipais, um passo a mais no lento processo de reformas iniciado pelo xeique Hamad ben Jalifa al Thani. Mantém excelentes relações com todos os grupos, com o Ocidente, com o mundo árabe e com o Irã, o que o tem feito mediador por excelência na região. Japão, Estados Unidos, Alemanha e Itália são seus principais países provedores, e a Espanha, seu sétimo país cliente. Em matéria de direitos humanos, as restrições à liberdade de expressão – apesar de haver criado a Al Jazeera – são frequentes, os ativistas são habitualmente perseguidos, a Internet é vigiada e há acusações contra o regime de Al Thai por não garantir os direitos mínimos dos trabalhadores estrangeiros. Não existem partidos políticos. Os qatari estão sendo convocados para uma manifestação ainda no mês de março.
Tunísia – Os 20 anos no poder de Ben Ali lhe deram o domínio sobre a economia tunisiana e criaram vínculos com a França, Itália, Alemanha e Estados Unidos, entre outros países ocidentais, na forma de contratos. A cleptocracia foi derrubada pelo movimento popular revolucionário que explodiu depois da morte de um jovem provinciano estendendo-se por todo o norte da África e o Oriente Médio. Os motivos econômicos – o grande desemprego, a alta dos preços, a escassez de moradia – combinaram-se com uma população educada e cansada da corrupção do regime, mas, como no resto dos protestos, as violações de direitos humanos, desde a repressão policial até a discriminação ou a falta de liberdades, também desempenharam um papel.
Tradução: Michelle Amara

sexta-feira, 11 de março de 2011

As ameaças das grandes potências à democratização dos países árabes

Os Estados Unidos e a Europa Unida estão de olho no petróleo da Líbia e dos demais países do norte da África e do Oriente Médio, sem nenhuma dúvida, mas querem também livrar-se de Kadafi, um inimigo que os incomodou muito nas últimas décadas.

As potências imperialistas, refeitas do susto que levaram com as insurgências populares na Tunísia e no Egito, estão recuperando o controle do processo democratizador que, de repente, varreu alguns países árabes. Tratam de abortar as insurgências populares valendo-se do nível insuficiente de organização e direção desses movimentos, manipular as aspirações democráticas dos povos árabes e manter as mudanças institucionais na região em limites que não afetem seus interesses.

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E, enquanto posam de defensores preocupados dos direitos humanos na Tunísia, no Egito e na Líbia (depois de terem tolerado e apoiado seus regimes ditatoriais por muitos anos), procuram manter em plano secundário e esquecido a situação na Arábia Saudita (monarquia fundamentalista e absoluta), no Bahrein (poço de petróleo transformado em país e, mais recentemente, também em base estadunidense) e na repressora Jordânia (reino inventado, juntamente com Israel, para impedir a formação de um grande Estado Palestino binacional). Se há uma esfera em que a hipocrisia prevalece da maneira mais descarada no mundo contemporâneo, é a das relações internacionais.

Não nos deixemos confundir. Num mundo dividido em Estados, não pode haver democracia real sem autodeterminação popular e, portanto, sem soberania dos Estados. Há uma inter-relação, mas também uma subordinação incontornável entre as questões nacional, democrática e social.

No enfrentamento do sistema capitalista-imperialista mundial, a luta pelo socialismo e pelo internacionalismo passa pelos combates antiimperialistas em defesa da soberania dos Estados periféricos, dependentes e vulneráveis, da democratização efetiva de seus regimes políticos e dos direitos políticos, econômicos e culturais de seus trabalhadores.

Não serão as grandes potências imperialistas que democratizarão os países por elas subjugados e espoliados, nem que promoverão os direitos e a emancipação de seus trabalhadores.

Todas elas, dependentes do petróleo árabe e ansiosas por aliados no norte da África e no Oriente Médio, engoliam Kadafi, como engoliam antes Saddam. Mas, surgindo a possibilidade de se livrarem desses aliados inseguros sem prejudicar seus interesses, tais potências os depõem e executam sem a menor hesitação nem piedade.

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A história dos séculos XIX e XX está cheia desses exemplos. Mas as grandes potências não liquidam seus antigos aliados e clientes para implantar uma democracia real nos países encabeçados por eles, nem para promover os direitos e a emancipação dos trabalhadores. Apenas trocam de métodos e de serviçais, como estão tentando fazer no Egito: tiraram Mubarak para deixar no lugar a mesma máquina militar dependente dos Estados Unidos e cúmplice de Israel, da qual Mubarak emergiu e que o sustentou por tanto tempo. Uma máquina distanciada há várias décadas da tradição nacionalista de Nasser, da qual também Kadafi se afastou nos últimos anos. 

No enfrentamento das grandes potências capitalistas, não há como não manter relações diplomáticas e econômicas com os demais países da América Latina, Caribe, Ásia e África, independentemente de que muitos desses países tenham regimes e governos antidemocráticos e antipopulares. As revoluções não se exportam. É cada povo que tem de libertar-se, apoiando-se em sua própria luta. O apoio dos demais povos deve ser político e moral. Somente em casos muito excepcionais, diante da intervenção sanguinária de grandes potências capitalistas, é que se poderia justificar, se viável, o apoio também militar.

Seria um contrassenso e uma capitulação fazer o contrário: aliar-se com as grandes potências, também dominadas por democracias restritas e por governos e regimes antipopulares, para combater os governos de países dependentes, vítimas no passado de agressões e colonizações, como a Líbia, a pretexto da defesa seletiva e hipócrita de "direitos humanos", entre os quais nunca se destaca o direito à soberania, à autodeterminação e à não-intervenção nos assuntos internos de cada país.

Já se está falando nos Estados Unidos em levar Mubarak e Kadafi ao Tribunal Penal Internacional, ao qual, porém, o governo de Washington não admite submeter nenhum de seus funcionários. Que bela justiça, discriminatória por definição! Uma inconfundível justiça colonialista! 

*Duarte Pacheco Pereira é jornalista e autor do livro 1924: Diário da Revolução – os 23 dias que abalaram São Paulo , editado e publicado pela Imprensa Oficial.

OS CARROS FECHARAM AS RUAS, NÓS AS ENCHEMOS DE ALEGRIA

MANIFESTO BICICLETADA BRASÍLIA
Muito já foi dito sobre a tragédia de Porto Alegre, mas gostaríamos de chamar atenção nesse texto para algumas das reações a esse evento que marcou a todos nós, entusiastas das bicicletas. A maioria delas nos causou espanto, tristeza e mesmo indignação. São falas que misturam conformismo, conservadorismo, preconceito e paranóia. E que acabam por reproduzir uma visão equivocada da Bicicletada e até mesmo das pessoas que utilizam bicicletas como meio de locomoção.
Muitos comentários fazem referência ao direito de ir e vir dos motoristas, que supostamente seria afetado pelas manifestações da Bicicletada. Antes de mais nada: achamos uma pena essas pessoas não se levantarem com a mesma veemência pelo direito de ir e vir de ciclistas e pedestres, que é ameaçado TODOS OS DIAS. Fariam muito mais diferença.
Sim, porque a circulação de automóveis já tem ao seu lado montadoras, empreiteiras, governo, publicidade. A garantia dos direitos dos não-motorizados conta em sua defesa apenas com o legítimo poder de reivindicação dos cidadãos.
O raciocínio se estende para as críticas ao ?método? da Bicicletada. Lemos várias falas condenando o fato de a Bicicletada ?fechar? vias (coisa que só fazemos de forma localizada e durante um certo tempo, diga-se de passagem). Outra vez: adorariamos vermos essas pessoas se manifestando com a mesma veemência contra o fechamento completo e DIÁRIO, pelo menos DUAS VEZES POR DIA, das principais vias da cidade por automóveis.

Imperialismo prepara carnificina na Líbia

Os povos da Tunísia e do Egito derrubaram duas cruéis ditaduras apoiadas política, econômica e militarmente pelas potências imperialistas dos EUA e da União Europeia. Fizeram-no através de movimentos insurrecionais maciços, com marcada tendência revolucionária democrática e anti-imperialista. Na Líbia, o anseio por democracia está sendo atropelado pela guerra civil e a ameaça de agressão externa.

Por José Reinaldo Carvalho

A experiência foi pedagógica e logo a oposição aos regimes retrógrados, contida a ferro e fogo durante décadas, se alastrou por todo o Magreb e Mashrek. Palavras como dignidade, liberdade, democracia, justiça social, independência nacional, soberania popular, morte aos tiranos, passaram a ser gritadas e cantadas como salmos no belo e sonoro idioma árabe. Uma jornada revolucionária que marca uma época, faz história e certamente muda qualitativamente o destino de milhões de pessoas.

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Os meios de comunicação ligados às potências imperialistas fazem grande alarde sobre a rebelião árabe, aparentemente a apoiam, mas, na prática, ao evidenciar o supérfluo e esconder o essencial, aplicam a velha tática do Leopardo, de mudar algo para que tudo fique na mesma. Atraem a atenção do público para o pitoresco e, no máximo, para manobras políticas no quadro da criação de um regime liberal-burguês.

Certamente, as palavras gritadas pelos manifestantes e insurretos em todo o norte da África e no Oriente Médio não têm o mesmo significado quando interpretadas pelas forças revolucionárias e progressistas, que apoiam a emancipação dos povos, e os imperialistas, que visam perpetuar o jugo.

"Novo Oriente Médio"

Por isso, nesta hora todo cuidado é pouco com o emprego de conceitos e expressões. Não é de hoje que o imperialismo estadunidense introduziu na cena política a luta pela "reestruturação" e a "democratização" da região, das quais surgiria o "novo Oriente Médio". Ninguém menos do que George W. Bush transformou essa meta no mantra dos seus dois mandatos. Há dez anos o mais facínora de todos os mandatários do mundo moderno iniciou, pelos meios mais bárbaros, o combate pela "democratização do Oriente Médio", fazendo uma guerra de terra arrasada no Afeganistão.

Menos de dois anos depois, atacou o Iraque, de onde as tropas norte-americanas ainda não se retiraram. Massacraram o povo e cometeram magnicídio. Em 2006, quando o Líbano ardia em chamas, sob os bombardeios da aviação dos sionistas, bandidos financiados e armados pela Casa Branca e o Pentágono, a então secretária de Estado de Bush, Condoleezza Rice, disse que das cinzas nasceria o novo (sic!) Oriente Médio.

Na época, os falcões de Washington não podiam imaginar que a onda de rebeliões poria em xeque as repúblicas ditatoriais e as monarquias retrógradas dos seus acólitos: Tunísia, Egito, Arábia Saudita, Barein, Jordânia, Marrocos, Iêmen et caterva. O objetivo eram os Estados inquinados como "bandidos" : Irã e Síria. Quando se referiam a outras regiões, esses alvos eram acrescidos pela Coreia do Norte, na Ásia, e por Cuba e Venezuela na América Latina.

Para não perder o controle

Bush não está mais à frente da Casa Branca, mas essencialmente a política militarista não mudou, embora muitos se iludam, como o professor José Luís Fiori. Em artigo recentemente publicado, defende que “o projeto do presidente dos Estados Unidos pode revolucionar a geopolítica mundial”.

Os Estados Unidos e demais potências imperialistas não mudam na essência, mas fazem seu jogo tático. Procuram adaptar-se à nova situação. Se a rebelião e a insurreição das massas são inevitáveis, se os tronos balançam e as cabeças coroadas periclitam, os Estados Unidos e seus aliados buscam diferentes formas de transição, experimentando juntas militares pacificadoras, novas constituições e toda a sorte de arranjos liberais, com o objetivo de que a situação não escape do seu controle.

É nessa perspectiva que se deve analisar os acontecimentos na Líbia. Tal como nos demais países, a Líbia também viveu um breve momento de ebulição democrática. Mas, diferentemente de todos os demais países em que estão em curso rebeliões, os acontecimentos subsequentes mostraram que não era de manifestações democráticas nem de uma insurreição popular que se tratava.

As manifestações foram a gota d´água para o início de uma guerra civil e a montagem de pretextos para a intervenção militar estrangeira. O noticiário dos últimos dias está repleto de fatos comprovadores de que muito ao contrário de uma revolução popular, está em curso na Líbia uma operação pré-ordenada, em que se mancomunaram interesses internos com externos.

Kadafi, antigo líder de uma revolução anticolonial, está sendo demonizado. Durante três décadas ele se compôs com forças progressistas e anti-imperialistas no mundo. Ultimamente, fez alianças espúrias com o imperialismo mas não se converteu, como em seu tempo Sadat e depois Mubarak, em fantoche. Não exercendo qualquer controle sobre a Líbia de Kadafi, diante do menor sinal de instabilidade política, os EUA e as potências europeias se movimentam pressurosamente para se apoderar do país e de suas riquezas energéticas.

Pretextos de todo o tipo

A democracia na Líbia é questão urgente a resolver. Mas não virá pelos tanques e porta-aviões dos EUA e da Otan. A luta democrática é indissociável da soberania nacional e da soberania popular. A agressão armada viola os princípios da Carta das Nações Unidas.

Em nome do interesse das grandes potências de açambarcar o petróleo da Líbia, estão sendo invocados pretextos de todo tipo: milhares de mortos, uma centena e meia de milhar de refugiados, proteção a estrangeiros residentes no país, crise humanitária. Nenhum desses pretextos se sustenta. Os mortos e refugiados resultam da guerra civil. O exército se dividiu, uma parte aderiu à oposição. Os dois lados disparam, ferem, matam, provocam êxodo. Quanto aos estrangeiros residentes no país, não se registra qualquer ocorrência. Somente a China repatriou em poucos dias 30 mil trabalhadores sem incidentes.

Nada justifica a intervenção armada dos Estados Unidos e da Otan. A ONU não deve autorizá-la, sob pena de ser responsabilizada por mais uma carnificina. O sistema multilateral, ainda que precário, tem mecanismos que podem ser acionados para ajudar na estabilização da Líbia. A humanidade deve estar vigilante e solidária com os povos da Líbia, de todo o norte da África e do Oriente Médio, na luta pela democracia e em defesa de sua soberania. Os movimentos de solidariedade e os governos democráticos e progressistas não devem permitir que se repita a agonia de um país sob o tacão da Otan, como ocorreu há mais de uma década na ex-Iugoslávia.

Cidade de 2.800 habitantes próxima do reactor está a ser evacuada

Pela primeira vez Tóquio accionou o estado de emergência nuclear no país, após o tsunami que devastou a costa nordeste nipónica.
Falhas no reactor nuclear da Fukushima - a sul Miyagi onde outra central nuclear se incendiou - precipitaram a evacuação da cidade de 2.800 habitantes.
A medida é preventiva, segundo a agência nuclear japonesa, uma vez que continuam a existir dificuldades em arrefecer o reactor número um, entretanto encerrado. "Não há fugas de radição, nem haverá uma fuga", garantiu o chefe de gabinete do primeiro-ministro, Yukio Edano.
Até ao momento quatro centrais nucleares foram encerrados no Japão desde o sismo de magnitude 8,9 e posterior tsunami que causou, pelo menos, 60 mortos e 56 desaparecidos.

Em Tóquio, colapso dos transportes deixa milhões longe de casa


Em Tóquio, colapso dos transportes deixa milhões longe de casa
Milhões de pessoas estão presas longe de casa na região metropolitana de Tóquio, à medida que a noite cai no Japão, depois do maior terremoto da história do país, seguido por uma tsunami, que provocou um colapso no sistema público de transportes.
Enquanto as sirenes de alerta soavam pela capital japonesa, helicópteros das redes de televisão voavam baixo registrando o estrago provocado pelo temor na megalópole de 35 milhões de habitantes, onde pouco depois do tremor lojas e restaurantes começaram a lotar com pessoas aflitas para estocar mantimentos.
Japoneses fazem longa fila para aguardar ônibus em terminal de Yokohama, sudoeste de Tóquio, após terremoto. Foto: Shuji Kajiyama/AP
Para os sobreviventes, que vagavam pelas ruas depois de sentirem tremer prédios de escritórios com estruturas reforçadas, projetadas para resistir a tremores tão fortes quanto o desta sexta-feira, a questão agora é saber notícias da família. O sistema de telefonia, entretanto, está caótico, e poucos conseguem completar ligações.
O gigantesco sistema de metrô de Tóquio está parado, assim como as várias linhas de trem.
“Não tenho ideia de como vou chegar em casa”, disse uma jovem de 18 anos, que esperava do lado de fora de uma estação do metrô.
Ela contou que estava em uma loja de departamentos no momento do tremor, e viu como todos os objetos eram simplesmente lançados das prateleiras, quebrando no chão à sua volta.
Com a ajuda de alto-falantes e transmissões televisivas, o governo pedia à população que permanecesse perto de seus locais de trabalho e não se arriscasse a ir andando para casa. Muitas estradas tiveram o asfalto rachado pelo impacto.
Muitos lotavam hotéis em busca de quartos para passar a noite.
Japoneses se protegem do frio com cobertores; sem transportes, milhões não têm como voltar para casa. Foto: Shuji Kajiyama/AP
“Por favor, não tentem ir para casa, pois não há meios de transporte. Fiquem em seus escritórios ou procurem locais seguros”, indicava um alerta oficial transmitido pelo canal público NHK.
“A noite está caindo”, continuava o locutor da NHK –é inverno no Japão. “Se os moradores que moram em bairros distantes tentarem ir para casa a pé durante a noite, podem ser vítimas de acidentes secundários.”
A região metropolitana de Tóquio –que inclui a região de Yokohama e enormes áreas suburbanas na planície de Kanto– é a maior concentração urbana do mundo, com milhões de pessoas que viajam durante horas entre seus locais de trabalho e suas casas.
TREMOR
A polícia do Japão afirmou nesta sexta-feira que subiu para 40 o número de mortes causadas pelo forte terremoto de magnitude 8,9, seguido por um tsunami com ondas de até dez metros de altura, atingiu a costa nordeste do país nesta sexta-feira. Trata-se do pior tremor a atingir o país desde que começaram a ser feitos registros, no final do século 19, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).
O tremor desta sexta foi seguido por ao menos 19 réplicas, algumas delas de magnitude 6,3. Cidades e vilarejos ao longo dos 2.100 quilômetros da costa leste do país foram afetadas por violentos tremores que atingiram até a capital, Tóquio, localizada a 373 quilômetros de distância do epicentro.
O terremoto ocorreu às 14h46 da hora local (2h46 em Brasília) e teve seu epicentro no Oceano Pacífico, a 130 quilômetros da península de Ojika, e a uma profundidade de 24,4 quilômetros, de acordo com o USGS.

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